Era
um dia quente, o silêncio apenas era quebrado pelo barulho das pás que jogavam
terra em cima do caixão. Ao meu lado, Aurélio e Vivian me sustentavam para que
eu tivesse forças de suportar aquele momento até o fim.
Eu
não podia, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.
Busquei Luis Felipe com os olhos e o vi no colo de minha irmã em local mais
afastado.
O
caixão já havia sido baixado e agora fechavam o jazigo. Tudo estava terminado e
eu não conseguia atinar meus pensamentos, não conseguia me imaginar continuando
a minha vida sem meu companheiro.
A
volta para casa foi terrível, tudo ali me lembrava Santiago, nosso esforço para
erguer nossa casinha, todos os sonhos depositados ali... e agora tudo estava
destruído, e por motivo torpe, banal. Eu não queria acreditar que eu estivesse
passando por tudo aquilo tendo um filho de oito meses para criar.
Isadora
e Aurélio tentavam inutilmente me confortar, mas eu me sentia morta em vida e
um remorso imenso de termos tido tantas brigas tomava conta de mim e grossas
lágrimas rolavam em meu rosto.
Vivian ficou comigo aquele dia e foi uma grande amiga tomando conta de mim. Não
conseguia conciliar o sono, acordando aos prantos muitas vezes durante a noite,
no que era confortada por minha amiga que me abraçava com força para que eu não
enlouquecesse de dor.
A
cama parecia tão grande agora... como conseguir dormir tendo tanto espaço, um
espaço que me lembrava que eu estava sozinha, que diferente de outros dias, em
que brigávamos, e em poucos instantes meu querido voltaria para o quarto e
iríamos nos entender e dormir abraçados na certeza plena de termos um ao outro.
A
manhã seguinte despontou como um pesadelo. Luis Felipe exigia meus cuidados e
eu não conseguia raciocinar sobre o que fazer direito, por onde começar ou por
onde recomeçar... eu não sabia. Sentei-me na cama e fiquei a olhar nossas
fotografias, recordando toda nossa história.
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