domingo, 19 de janeiro de 2014

Introdução - Sepultamento

Era um dia quente, o silêncio apenas era quebrado pelo barulho das pás que jogavam terra em cima do caixão. Ao meu lado, Aurélio e Vivian me sustentavam para que eu tivesse forças de suportar aquele momento até o fim.

Eu não podia, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Busquei Luis Felipe com os olhos e o vi no colo de minha irmã em local mais afastado.

O caixão já havia sido baixado e agora fechavam o jazigo. Tudo estava terminado e eu não conseguia atinar meus pensamentos, não conseguia me imaginar continuando a minha vida sem meu companheiro.

A volta para casa foi terrível, tudo ali me lembrava Santiago, nosso esforço para erguer nossa casinha, todos os sonhos depositados ali... e agora tudo estava destruído, e por motivo torpe, banal. Eu não queria acreditar que eu estivesse passando por tudo aquilo tendo um filho de oito meses para criar.

Isadora e Aurélio tentavam inutilmente me confortar, mas eu me sentia morta em vida e um remorso imenso de termos tido tantas brigas tomava conta de mim e grossas lágrimas rolavam em meu rosto.

Vivian ficou comigo aquele dia e foi uma grande amiga tomando conta de mim. Não conseguia conciliar o sono, acordando aos prantos muitas vezes durante a noite, no que era confortada por minha amiga que me abraçava com força para que eu não enlouquecesse de dor.

A cama parecia tão grande agora... como conseguir dormir tendo tanto espaço, um espaço que me lembrava que eu estava sozinha, que diferente de outros dias, em que brigávamos, e em poucos instantes meu querido voltaria para o quarto e iríamos nos entender e dormir abraçados na certeza plena de termos um ao outro.

A manhã seguinte despontou como um pesadelo. Luis Felipe exigia meus cuidados e eu não conseguia raciocinar sobre o que fazer direito, por onde começar ou por onde recomeçar... eu não sabia. Sentei-me na cama e fiquei a olhar nossas fotografias, recordando toda nossa história.


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