Santiago e eu nos conhecemos no aniversário de Vivian em 2002. Minha amiga não se
conformava em me ver sozinha e não sossegou até nos ver dançar. Propositalmente,
ela escolheu uma de minhas canções preferidas e me vi enlaçada por dois braços
fortes que me envolveram no abraço mais gostoso e perfumado que eu já havia
sentido.
Durante
a música, ele fazia perguntas que eu respondia tentando ignorar seus olhares.
De repente, ele me faz parar a dança, abre o sorriso mais perfeito do mundo e
pede para Vivian tocar algo mais animado.
Minha
amiga não pensa duas vezes e coloca um ritmo que não era dos meus preferidos
por achar que exigia muito contato físico entre os pares. Porém, não tive tempo
de pensar em sair correndo dali. A música
começou e me vi dançando uma salsa de linha – contra a minha vontade – mas dancei.
O
corpo de Santiago, negro e muito malhado, se encaixava perfeitamente ao meu e a
contragosto admiti que com ele, a dança estava perfeita e eu não queria que a
música acabasse. A mistura de ritmo, perfume, cheiro natural e química de pele
começavam a mexer com o meu juízo.
Pretextando
cansaço, pedi para descansar uns instantes e me retirei para um canto mais
tranquilo da festa, mas Paulo me seguiu:
-
Minha companhia está tão desagradável a ponto de nem querer conversar comigo ?
-
Não se trata disso! – Respondi- Apenas preciso descansar um pouco e você pelo
jeito não é de ficar parado em festas!
Ele
deu uma gargalhada que quase me deixou brava, mas percebendo minha cara de
contrariada, respondeu:
-
Eu sei que você é inteligente e deve ter percebido que nesta festa, meu
interesse é estar perto de você, mas parece que você é um tanto arisca!
-
Não sou arisca! Apenas não sou de me abrir feito um paraquedas!
-
Desculpe Mariângela, não quis magoar você! Podemos conversar de forma amigável
?
Olhei
suas feições tentando identificar algum olhar maldoso mas não consegui. E foi
com agradável surpresa que vi que meu interlocutor era muito inteligente e
conversamos sobre os mais variados assuntos, descobrindo muitas afinidades com
aquele belo rapaz.
A
noite passou depressa e a festa chegou ao fim. Ao me despedir de Samantha,
Paulo se ofereceu para me levar em casa, o que não foi preciso, pois morava
vizinha de minha amiga. Ainda assim, ele me acompanhou até o portão.
Ao
se despedir, ele beijou minhas mãos e perguntou:
-
Nos veremos de novo ?
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