sexta-feira, 18 de março de 2016

Cap. 04 – Quer namorar comigo ??

Cheguei na escola onde lecionava e estranhei as risadinhas de minhas colegas. Foi somente quando cheguei a sala dos professores que entendi o porquê.

Em cima da mesa, um buquê maravilhoso de rosas vermelhas despertava a curiosidade e a admiração das professoras presentes. Ao me verem, praticamente me forçaram a abrir o cartão que trazia um fragmento lindo de Vinicius de Moraes: “De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais meu pensamento. Aceita ser minha namorada ?”.

Minhas colegas de trabalho se derreteram com as flores e com o cartão e ficaram ainda mais eufóricas quando perceberam que havia uma caixinha vermelha de veludo com uma linda aliança de aço com três fios de ouro. A euforia das meninas foi nas alturas e os gritinhos de “ACEITA, ACEITA” não se fizeram esperar.

Decidida a dar uma chance a mim mesma, peguei o celular e digitei uma mensagem dizendo apenas “venha me buscar no serviço”.


A resposta não demorou a chegar em meu celular e no fim da tarde, a linda figura de um militar estacionou em frente ao colégio atraindo a atenção das crianças. Me aproximei sorrindo e ele abriu a porta do carro para mim. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cap. 03 – Um simples sorvete ?

Entrei no carro de Paulo e seu perfume se fazia sentir em cada canto do veículo e precisei criar quase um mantra em minha cabeça para resistir a todas as ideias insanas que começaram a povoar minha mente.

Meu acompanhante estacionou em frente a uma sorveteria com cenário estilo anos cinquenta e antes que eu abrisse a porta, fui interrompida:

 - Nem pense em fazer isso senhorita arisca! Hoje sou seu cavalheiro!

Desceu do carro e deu a volta e abriu a porta para mim. A falta de costume me fez ficar em dúvida se eu realmente estava agindo certo, mas Santiago estava cumprindo o que prometeu e em nenhum momento tentou avançar sinal, o que foi me deixando mais tranquila.

Escolhemos um lugar mais afastado para conversarmos melhor e longe da jukebox cheia de músicas velhas que em nada me agradavam. Percebendo minhas feições contrariadas, Paulo me desafiou:

- Vamos ver quem escolhe a música mais brega ? Duvido que você ganhe!

Olhei zombeteiramente para ele e respondi:

- Que bom que você sabe que eu não vou ganhar mesmo!!! Não curto meeesssmoooo canções antigas!

Passando as mãos na cabeça, ele riu ao dizer:

- Xiii!!! Acho que o destino quer mesmo nos unir senhorita arisca!! Se é verdade que os opostos se atraem, então somos a metade um do outro! Quer pagar pra ver ? Eu vou escolher sorvete de amarula!

Fiz careta diante da escolha e logo respondi:

- De jeito nenhum!!! Não abro mão de forma alguma de um bom sorvete de chocolate e leite condensado com bastante cobertura!

Ele fez cara de espanto me medindo de alto a baixo, o que me fez corar rapidamente. Percebendo meu rubor, não esperou outra oportunidade de fazer uma gracinha:

- Me desculpe, mas como é que você consegue manter este corpo com uma dieta tão saudável ?

Tentei parecer brava ao responder:

- Eu malho sabia ?!!!

Ousando um movimento, Paulo segurou minha mão respondendo:

- Não sabia não!!! Mas adoraria te acompanhar num dia de exercícios!

Ruborizei de novo e perdendo um pouco  minha timidez acabei fazendo um gracejo:

- Vou adorar ter companhia para malhar!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cap. 02 – Já tem uma resposta para meu convite ?

Pensei muito na pergunta de Paulo:

“nos veremos de novo ?”

A pergunta era fácil e ao mesmo tempo extremamente difícil de se responder. Já havia me acostumado a ter uma vida independente e recheada de boas oportunidades para eventos que jamais eram dispensados.  Minhas amigas, minha chefe e até mesmo minha mãe foram insistentes para que eu aceitasse ao menos o convite para um “inocente sorvete”.

Peguei o telefone para ligar, mas parece que meu mais novo conhecido adivinhou meus pensamentos e ligou primeiro:

- Olá senhorita arisca!! Já tem uma resposta para meu convite ?

Hesitei ao responder, no que fui logo chamada para voltar a realidade:

- Sou tão repugnante assim para que recuse um sorvete ?

Minha mente tinha a resposta perfeita:”não meu Deus de ébano, você é tudo que eu queria hoje!”

Mas eu não sabia se era o melhor a se fazer! E se eu gostasse e ele quisesse apenas diversão ? E se eu não gostasse e quisesse sair correndo ? Se...se... se... eita conjunção difícil... mas decidi arriscar, um sorvete não iria me matar:

- Sim Santiago! Aceito seu convite para um sorvete, APENAS um sorvete, de acordo ?

Paulo gargalhou do outro lado:

- Prometo que serei um santo! A que horas posso buscá-la ?

- Às oito da noite, está bem ?

- Serei pontual! E desligou o telefone.

Consultei o relógio e vi que não tinha muito tempo. Que saco esse lance das horas passarem voando quando precisamos que elas se arrastem. Corri até o guarda-roupa na tentativa de escolher algo apropriado e acabei me decidindo por um vestido jeans tomara que caia  com uma sandália estilo jeans. Deixei o cabelo solto trabalhado na chapinha, tudo bem que já era liso, mas não custava dar um retoque nas madeixas. Mirei minha imagem no espelho e sorri satisfeita, estava bonita sem estar enfeitada demais, afinal, o fato de ser um sorvete nem de longe queria dizer que eu sairia de casa desajeitada. 

A campainha de casa tocou e fui atender já sabendo de quem se tratava. No portão, Santiago me esperava numa calça jeans, desbotada bem justa que preenchia divinamente suas pernas – grossas e lindas. A camisa polo vinho acentuava e me dava uma ideia perfeita do que era seu peitoral e seus braços malhados. Claro que eu tinha que olhar os braços, eles enchiam  a manga de qualquer camisa ou camiseta e eu tinha que admitir que o belo foi feito para ser admirado.

Ostentando aquele sorriso lindo, meu cavalheiro – (céus! Já chamo de MEU CAVALHEIRO! Que merda!) – abriu a porta do carro para mim:

- Vamos ?







terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Cap. 01 – Uma festa

Santiago e eu nos conhecemos no aniversário de Vivian em 2002. Minha amiga não se conformava em me ver sozinha e não sossegou até nos ver dançar. Propositalmente, ela escolheu uma de minhas canções preferidas e me vi enlaçada por dois braços fortes que me envolveram no abraço mais gostoso e perfumado que eu já havia sentido.

Durante a música, ele fazia perguntas que eu respondia tentando ignorar seus olhares. De repente, ele me faz parar a dança, abre o sorriso mais perfeito do mundo e pede para Vivian tocar algo mais animado. 

Minha amiga não pensa duas vezes e coloca um ritmo que não era dos meus preferidos por achar que exigia muito contato físico entre os pares. Porém, não tive tempo de pensar em sair correndo dali.  A música começou e me vi dançando uma salsa de linha – contra a minha vontade – mas dancei. 

O corpo de Santiago, negro e muito malhado, se encaixava perfeitamente ao meu e a contragosto admiti que com ele, a dança estava perfeita e eu não queria que a música acabasse. A mistura de ritmo, perfume, cheiro natural e química de pele começavam a mexer com o meu juízo.

Pretextando cansaço, pedi para descansar uns instantes e me retirei para um canto mais tranquilo da festa, mas Paulo me seguiu:

- Minha companhia está tão desagradável a ponto de nem querer conversar comigo ?
- Não se trata disso! – Respondi- Apenas preciso descansar um pouco e você pelo jeito não é de ficar parado em festas!

Ele deu uma gargalhada que quase me deixou brava, mas percebendo minha cara de contrariada, respondeu:

- Eu sei que você é inteligente e deve ter percebido que nesta festa, meu interesse é estar perto de você, mas parece que você é um tanto arisca!

- Não sou arisca! Apenas não sou de me abrir feito um paraquedas!

- Desculpe Mariângela, não quis magoar você! Podemos conversar de forma amigável ?
Olhei suas feições tentando identificar algum olhar maldoso mas não consegui. E foi com agradável surpresa que vi que meu interlocutor era muito inteligente e conversamos sobre os mais variados assuntos, descobrindo muitas afinidades com aquele belo rapaz.

A noite passou depressa e a festa chegou ao fim. Ao me despedir de Samantha, Paulo se ofereceu para me levar em casa, o que não foi preciso, pois morava vizinha de minha amiga. Ainda assim, ele me acompanhou até o portão.

Ao se despedir, ele beijou minhas mãos e perguntou:

- Nos veremos de novo ?



domingo, 19 de janeiro de 2014

Introdução - Sepultamento

Era um dia quente, o silêncio apenas era quebrado pelo barulho das pás que jogavam terra em cima do caixão. Ao meu lado, Aurélio e Vivian me sustentavam para que eu tivesse forças de suportar aquele momento até o fim.

Eu não podia, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Busquei Luis Felipe com os olhos e o vi no colo de minha irmã em local mais afastado.

O caixão já havia sido baixado e agora fechavam o jazigo. Tudo estava terminado e eu não conseguia atinar meus pensamentos, não conseguia me imaginar continuando a minha vida sem meu companheiro.

A volta para casa foi terrível, tudo ali me lembrava Santiago, nosso esforço para erguer nossa casinha, todos os sonhos depositados ali... e agora tudo estava destruído, e por motivo torpe, banal. Eu não queria acreditar que eu estivesse passando por tudo aquilo tendo um filho de oito meses para criar.

Isadora e Aurélio tentavam inutilmente me confortar, mas eu me sentia morta em vida e um remorso imenso de termos tido tantas brigas tomava conta de mim e grossas lágrimas rolavam em meu rosto.

Vivian ficou comigo aquele dia e foi uma grande amiga tomando conta de mim. Não conseguia conciliar o sono, acordando aos prantos muitas vezes durante a noite, no que era confortada por minha amiga que me abraçava com força para que eu não enlouquecesse de dor.

A cama parecia tão grande agora... como conseguir dormir tendo tanto espaço, um espaço que me lembrava que eu estava sozinha, que diferente de outros dias, em que brigávamos, e em poucos instantes meu querido voltaria para o quarto e iríamos nos entender e dormir abraçados na certeza plena de termos um ao outro.

A manhã seguinte despontou como um pesadelo. Luis Felipe exigia meus cuidados e eu não conseguia raciocinar sobre o que fazer direito, por onde começar ou por onde recomeçar... eu não sabia. Sentei-me na cama e fiquei a olhar nossas fotografias, recordando toda nossa história.


Sinopse

Mariângela é uma jovem de vinte e seis anos, professora de uma escola particular. Ela conhece Santiago numa festa de amigos e se apaixonam vivendo uma linda história de amor. Essa história no entanto, sofre um revés inesperadamente.

Santiago é assassinado de forma brutal e Mariângela precisará encontrar um novo sentido para sua vida, com a ajuda dos amigos Vivian e Aurélio.  



Boa leitura!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Apresentando os personagens


Vivian – Estudante de Letras. É ativa e comunicativa. Gosta de festa, bagunça e diversão. Sua vida sofrerá mudanças que vão modificar sua maneira de ser. É irmã de Aurélio, com quem vive aos trancos e barrancos. A ida do irmão para as Forças Armadas mudará a relação dos irmãos.

Mariângela – Professora de Educação Infantil. É temperamental. Pessoa de poucos amigos, terá dificuldades de aceitar a maneira expansiva de Vivian. É esposa de Paulo..


Aurélio – É irmão de Vivian. Convocado para o serviço militar, se revoltará a princípio, mas tudo muda quando conhece Paulo Santiago e outros companheiros de jornada. Assim como Vivian, sua vida também passará por uma mudança que fará modificações em seu jeito de ser.


Paulo Santiago – É casado com Mariângela, com quem tem uma relação conflituosa. Será grande amigo de Aurélio. Serão inseparáveis até algo inesperado acontecer.