Pensei
muito na pergunta de Paulo:
“nos
veremos de novo ?”
A
pergunta era fácil e ao mesmo tempo extremamente difícil de se responder. Já havia
me acostumado a ter uma vida independente e recheada de boas oportunidades para
eventos que jamais eram dispensados. Minhas
amigas, minha chefe e até mesmo minha mãe foram insistentes para que eu
aceitasse ao menos o convite para um “inocente sorvete”.
Peguei
o telefone para ligar, mas parece que meu mais novo conhecido adivinhou meus
pensamentos e ligou primeiro:
-
Olá senhorita arisca!! Já tem uma resposta para meu convite ?
Hesitei
ao responder, no que fui logo chamada para voltar a realidade:
-
Sou tão repugnante assim para que recuse um sorvete ?
Minha
mente tinha a resposta perfeita:”não meu Deus de ébano, você é tudo que eu
queria hoje!”
Mas
eu não sabia se era o melhor a se fazer! E se eu gostasse e ele quisesse apenas diversão ?
E se eu não gostasse e quisesse sair correndo ? Se...se... se... eita conjunção
difícil... mas decidi arriscar, um sorvete não iria me matar:
-
Sim Santiago! Aceito seu convite para um sorvete, APENAS um sorvete, de acordo ?
Paulo
gargalhou do outro lado:
-
Prometo que serei um santo! A que horas posso buscá-la ?
-
Às oito da noite, está bem ?
-
Serei pontual! E desligou o telefone.
Consultei
o relógio e vi que não tinha muito tempo. Que saco esse lance das horas
passarem voando quando precisamos que elas se arrastem. Corri até o guarda-roupa
na tentativa de escolher algo apropriado e acabei me decidindo por um vestido jeans tomara que caia com uma sandália estilo jeans. Deixei o cabelo solto
trabalhado na chapinha, tudo bem que já era liso, mas não custava dar um
retoque nas madeixas. Mirei minha imagem no espelho e sorri satisfeita, estava
bonita sem estar enfeitada demais, afinal, o fato de ser um sorvete nem de
longe queria dizer que eu sairia de casa desajeitada.
A
campainha de casa tocou e fui atender já sabendo de quem se tratava. No portão, Santiago me esperava numa calça jeans, desbotada bem justa que preenchia divinamente suas pernas – grossas e lindas. A camisa polo vinho acentuava e me dava uma ideia perfeita do que era seu peitoral e seus
braços malhados. Claro que eu tinha que olhar os braços, eles enchiam a manga de qualquer camisa ou camiseta e eu
tinha que admitir que o belo foi feito para ser admirado.
Ostentando
aquele sorriso lindo, meu cavalheiro – (céus! Já chamo de MEU CAVALHEIRO! Que
merda!) – abriu a porta do carro para mim:
-
Vamos ?
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